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Contrato de trabalho intermitente: como funciona e quando usar

2026-05-18

Contrato de trabalho intermitente: como funciona e quando usar

Contrato de trabalho intermitente: como funciona e quando usar

Introdução

O contrato de trabalho intermitente foi criado pela Reforma Trabalhista de 2017 e representa uma das principais inovações na legislação trabalhista brasileira. Ele permite que o empregado seja convocado apenas quando necessário, recebendo proporcionalmente ao período efetivamente trabalhado.

Neste artigo, você vai entender como funciona esse tipo de contrato, quais são os direitos do empregado, as obrigações do empregador e em quais situações ele é a melhor escolha.

O que é o contrato intermitente

O contrato de trabalho intermitente é uma modalidade de contrato por tempo indeterminado em que a prestação de serviços não é contínua, ocorrendo com alternância de períodos de trabalho e inatividade. O empregado é convocado conforme a necessidade do empregador e não tem jornada fixa semanal ou mensal.

Como funciona o contrato intermitente

O funcionamento segue as seguintes regras definidas na CLT:

Convocação: o empregador convoca o empregado com antecedência mínima de 3 dias corridos, por qualquer meio de comunicação eficaz (WhatsApp, e-mail, ligação, etc.).

Aceite ou recusa: o empregado tem 1 dia útil para responder. O silêncio é interpretado como recusa. A recusa não configura demissão nem descaracteriza o contrato.

Remuneração: o empregado recebe por hora trabalhada, com valor nunca inferior ao mínimo por hora. Ao final de cada período convocado, recebe proporcionalmente: salário, férias (1/12), 13° salário (1/12), repouso semanal remunerado e adicional de insalubridade ou periculosidade (se aplicável).

FGTS: o empregador recolhe 8% do valor pago ao empregado em cada período trabalhado.

INSS: o empregado contribui proporcionalmente ao valor recebido.

Formalização do contrato

O contrato intermitente deve ser formalizado por escrito e conter:

  • Identificação, assinatura e domicílio das partes.
  • Valor da hora de trabalho (nunca inferior ao salário mínimo/hora ou ao piso da categoria).
  • Local e prazo de pagamento.

Quando usar o contrato intermitente

O contrato intermitente é ideal para:

  • Estabelecimentos com demanda sazonal (restaurantes, hotéis, eventos).
  • Comércio varejista com pico de vendas em datas específicas.
  • Empresas que precisam de reforço de equipe em projetos pontuais.
  • Atividades que não demandam presença contínua do trabalhador.

Vantagens e desvantagens

Vantagens para o empregador:

  • Flexibilidade para contratar conforme a demanda.
  • Redução de custos fixos com encargos trabalhistas em períodos de baixa.
  • Menor risco de passivo trabalhista comparado à terceirização informal.

Vantagens para o empregado:

  • Registro em CTPS com todos os direitos proporcionais.
  • Possibilidade de trabalhar para outros empregadores nos períodos de inatividade.
  • Acesso a benefícios previdenciários.

Desvantagens:

  • O empregado não tem garantia de renda mensal mínima.
  • O empregador não pode garantir disponibilidade do empregado.
  • Gestão administrativa mais complexa pela variação mensal dos pagamentos.

Exemplos práticos

Restaurante contrata garçom em regime intermitente para trabalhar apenas nos finais de semana. O empregado é convocado toda quinta-feira para trabalhar sexta, sábado e domingo. Ao final do mês, recebe a remuneração pelas horas trabalhadas, acrescida da proporção de férias (1/12) e 13° (1/12). O FGTS é recolhido mensalmente sobre o total pago.

FAQ

1. O empregado intermitente pode ter carteira assinada? Sim. O contrato intermitente é formalizado na CTPS digital, com todos os direitos proporcionais ao período trabalhado.

2. O empregado pode recusar convocações sem ser demitido? Sim. A recusa não configura demissão nem prejudica o contrato. O empregado pode trabalhar para outros empregadores nos períodos de inatividade.

3. O contrato intermitente tem salário mínimo garantido? O valor por hora não pode ser inferior ao salário mínimo/hora. Mas não há garantia de renda mensal mínima, pois depende das convocações.

4. Como calcular o valor proporcional de férias e 13° no contrato intermitente? Multiplique o valor total recebido no mês por 1/12 para obter a proporção de férias e outro 1/12 para o 13° salário.

5. O empregado intermitente tem direito ao seguro-desemprego? Tem direito ao seguro-desemprego quando dispensado sem justa causa, mas o cálculo é feito sobre a média das remunerações recebidas.

6. O contrato intermitente vale para qualquer atividade? Sim, desde que a atividade não exija presença contínua e o trabalho possa ser realizado em períodos intercalados.

7. Existe limite de convocações mensais? Não. O número de convocações é livre, desde que respeitado o prazo mínimo de 3 dias corridos de antecedência.

8. Como funciona o repouso semanal remunerado no contrato intermitente? O RSR é pago proporcionalmente ao período trabalhado. Para cada 6 dias de trabalho, o empregado tem direito a 1 dia de RSR.

9. O contrato intermitente pode virar por prazo indeterminado regular? O contrato intermitente já é por prazo indeterminado. Se as partes quiserem mudar para regime de jornada fixa, devem formalizar um novo contrato ou aditivo.

10. O FGTS é recolhido normalmente no contrato intermitente? Sim. O empregador recolhe 8% do valor pago em cada período trabalhado, mesmo que o valor mensal seja variável.

Glossário

  • Contrato intermitente: modalidade de contrato sem jornada fixa, com convocação por demanda e remuneração proporcional.
  • Convocação: ato do empregador de chamar o empregado para trabalhar, com antecedência mínima de 3 dias.
  • Remuneração proporcional: valores calculados de forma fracionada sobre o período efetivamente trabalhado.
  • RSR (Repouso Semanal Remunerado): dia de descanso remunerado a cada 6 dias trabalhados.
  • Reforma Trabalhista: conjunto de alterações na CLT promovidas pela Lei 13.467/2017.

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Conclusão

O contrato de trabalho intermitente é uma ferramenta flexível que beneficia empregadores com demandas variáveis e empregados que buscam múltiplas fontes de renda. Para utilizá-lo corretamente, formalize o contrato por escrito, respeite os prazos de convocação e calcule corretamente os direitos proporcionais. Um contador especializado em folha de pagamento pode ajudar a estruturar esse regime de forma eficiente e dentro da legalidade.

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